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O SANTO CURA D'ARS E OS BAILES

  • 3 de fev. de 2018
  • 8 min de leitura

DANÇAS

Seja um religioso ou seja um condenado

Há sempre alguém que me vem dizer: "Padre, que mal existe numa pessoa divertir-se um pouco? Eu não faço mal a ninguém... Eu não sou um religioso e nem pretendo sê-lo! Se eu não puder sequer dançar um pouco, passarei a minha vida neste mundo como se fosse um morto!"

Meu caro amigo, está muito errado. Ou se torna um religioso, ou será um condenado. E o que é ser uma pessoa religiosa? Nada mais é do que uma pessoa que cumpre com todos os seus deveres como Cristão. Diz-me que não vou conseguir nada ao tentar convencê-lo a respeito do mal que existe nas danças e que você não se vai tornar por isso, nem mais e nem menos indulgente a esse respeito.

Mas eu digo-lhe: está errado novamente, pois ao ignorar e desprezar as instruções do seu pastor, atrai sobre si a ira e os castigos de Deus, e eu pelo meu lado, serei recompensado por ter cumprido com os meus deveres. Na hora da minha morte, Deus não me vai perguntar se você cumpriu ou não com as suas obrigações, mas sim, se eu lhe ensinei ou não o que você deveria fazer para cumprir com seus deveres.

Também me diz, que eu nunca conseguirei diminuir a sua resistência, a ponto de fazê-lo acreditar que existe algum mal em divertir-se a dançar. Não quer mesmo acreditar que existe algum mal nisso, não é verdade? Bem, isso é um problema seu. Que eu saiba, é suficiente para mim, falar-lhe num modo, que me assegure que ao fazê-lo, estarei a fazer aquilo que como pastor eu deveria fazer. Portanto, que isso não o irrite! O seu pastor está apenas a cumprir o dever.

Mas me dirá: Nem os 10 Mandamentos e nem mesmo toda a Sagrada Escritura proíbe alguém de dançar! Talvez diga isso, porque não os examinou atentamente. Siga o meu raciocínio por um momento e eu lhe mostrarei que não existe um só mandamento, ao qual as danças não levem à transgressão e não existe um só sacramento que não seja profanado por causa das danças.

Você sabe tão bem quanto eu, que essas folias e extravagâncias selvagens, acontecem principalmente nos domingos e feriados. Que me diz então daquele jovem ou daquela jovem que decidiram ir a um baile ou a uma festa dançante? Qual o amor que eles tem por Deus? As suas mentes estarão totalmente ocupadas com os preparativos para chamar a atenção daqueles com os quais estarão misturados.

Suponhamos que já tenham feito as suas orações. Com que espírito essas orações foram feitas? Só Deus sabe! Por outro lado, que tipo de amor a Deus uma pessoa pode sentir, quando o seu coração está a suspirar e a pensar somente nos prazeres e nas criaturas? Nesse ponto terá que admitir que é impossível agradar a Deus e ao mundo ao mesmo tempo. Aliás, isso nunca será possível!

Deus também proíbe "juras". Sabe Deus, quantas querelas, quantas juras e blasfémias são proferidas como resultado das ciumeiras que se levantam entre a juventude, quando estão reunidos nesses encontros! Vai me dizer que não acontecem frequentemente, disputas e lutas nesses locais? Quem poderia contar quantos crimes são cometidos nesses encontros diabólicos?

O Terceiro Mandamento, manda-nos guardar os dias santos e nesse caso, o Domingo em particular. Será que alguém poderia realmente acreditar, que um rapaz que passou várias horas do Domingo com uma jovem, com o coração aceso como uma fornalha, estaria realmente a satisfazer esse preceito? Santo Agostinho tem boas razões para dizer que um homem faria melhor coisa em passar o dia inteiro a trabalhar na terra e as mulheres a tecer, do que irem para esses encontros dançantes. O mal seria bem menor.

O Quarto Mandamento diz que os filhos devem honrar os seus pais. Esses jovens que frequentam bailes, será que possuem o respeito e a submissão que eles devem aos seus pais? Não, certamente que não. Eles causam aos seus pais maior preocupação e desgosto do que você pode imaginar! Tanto pelo modo com o qual eles ignoram os seus desejos e pelo mal uso que fazem do dinheiro, como também por criticarem e gozarem com os seus pais chamando-os de "fora-de-moda".

Quanta dor tais pais devem sentir!– isto é, se a fé deles ainda não se extinguiu por completo –, ao verem os seus filhos lançarem-se em tais prazeres, ou para dizer de um modo mais claro, nesses caminhos licenciosos! Esses filhos já não são abençoados por Deus, mas estão a ser engordados para o Inferno. Mas suponhamos que esses pais já tenham perdido a fé... Coitados... eu nem sequer ouso ir mais adiante... Quão cegos são esses pais! Quão perdidos são esses filhos! Pode por acaso existir algum outro lugar, ou tempo ou ocasião em que tantos pecados são cometidos contra a pureza, do que nos salões de bailes e danças? Não seriam nesses encontros que as pessoas são incitadas mais violentamente contra a santa virtude da pureza? Onde mais os sentidos são tão fortemente impulsionados em direcção da excitação dos prazeres? Se formos aprofundar ainda mais, deveríamos morrer de horror diante dos muitos crimes que são cometidos ali! E não são nesses encontros, que o demónio furiosamente acende o fogo da impureza no coração dos jovens, de modo a aniquilar neles a graça do Baptismo? E não são nesses locais que o Inferno escraviza tantas almas quanto deseja?

Imagine então: Apesar da ausência de ocasiões de pecado e do auxílio de tantas orações já é tão difícil perseverar na virtude da pureza de coração, como poderia então ser possível preservar tal virtude no meio de tantas fontes de corrupção?

São João Crisóstomo diz: "– Olhe aquela jovem mundana e leviana, ou melhor, olhe para aquela pequena chama do fogo diabólico, que com a sua beleza e gestos "flamboyants", acende no coração daquele jovem, o fogo da concupiscência. Não os vê? Um mais do que o outro, procurando atrair-se mutuamente pelos seus charmes e toda a sorte de truques e ardis? Se puder, pode contar, Ó infeliz pecador: o número dos seus maus pensamentos, ou maus desejos e as suas acções pecaminosas! Não é nesses lugares que ouve aquilo que agrada aos seus ouvidos, que inflama e queima os corações, fazendo dessas assembleias fornalhas de "falta-de-vergonha"? E não é por acaso ali, meus caros irmãos, que os rapazes e moças, bebem diretamente na fonte do crime, a qual logo, logo, se transforma num rio que transborda o seu leito, arruinando e envenenando tudo à sua volta? Pois eu digo; continuem! Sigam em frente, pais e mães desavergonhados! Sigam para o Inferno, onde a justiça e a fúria de Deus os aguarda com todas as ações que vocês praticaram, permitindo aos seus filhos correrem tais riscos. Pois sigam em frente, porque eles não demorarão muito a reunirem-se convosco, já que deixaram a estrada pavimentada para eles. Sigam em frente e contem o número de anos que os vossos filhos e filhas perderam! Apresentem-se diante do Supremo Juiz para prestarem contas das suas vidas e ali verão que o seu pastor tinha toda a razão ao proibir essa espécie de prazer diabólico! Então me dirá: –Ah! está a apresentar as coisas maiores do que elas são realmente! Pois bem, acha que eu estou a falar demais? Então ouça o que os Santos Padres da Igreja dizem a esse respeito! São Efraim diz-nos que a dança é a perdição de moças e mulheres, a cegueira dos homens, o lamento dos anjos e a alegria dos demónios. Meu Deus! Será que alguém possui olhos tão enfeitiçados a ponto de acreditar que não existe mal nenhum nisso, enquanto essa é a corda com a qual o demónio arrasta a maioria das almas para o Inferno? Então continuem, sigam em frente pobres pais, cegos e perdidos! Sigam desprezando o que o seu pastor vos está a dizer! Continuem no caminho que estão a seguir! Ouçam tudo e não tirem proveito de nada! Deixem entrar por um ouvido e sair pelo outro!

Quer dizer que não existe mal algum nisso, não é? Digam-me então o que foi que vocês renunciaram no dia do vosso Baptismo? Ou sob que condições o Baptismo lhes foi concedido? Será que não foi sob a condição de que ao fazerem os vossos votos diante do Céu e da Terra, na presença de Cristo sobre o Altar, vocês renunciariam a Satanás e todas as suas pompas e obras por todo o tempo das vossas vidas? Em outras palavras, que vocês renunciariam a todos os prazeres e vaidades deste mundo? Não foi sob a condição de abandonarem tudo para seguirem a Cristo Crucificado que foram baptizados? Sendo assim, não é verdade que estão a violar as promessas de vosso Baptismo e a profanar este Sacramento da Misericórdia? Não estariam também a profanar o Sacramento da Confirmação, ao trocar a Cruz de Cristo que receberam, por vaidades e roupas obscenas, envergonhando-se da Cruz, a qual deveria ser para vocês, glória e felicidade? Santo Agostinho diz-nos que aqueles que frequentam bailes, verdadeiramente renunciam a Jesus Cristo para poderem entregar-se ao demónio. Como isso é horrível! Expulsar Jesus depois de O receberam nos seus corações! São Efraim diz-nos-: – Hoje vocês unem-se a Jesus Cristo, para logo depois, amanhã, se reunirem a Satanás! Comporta-se exactamente como Judas Iscariotes, aquela pessoa que logo depois de receber Nosso Senhor Jesus Cristo, vai vendê-lo a Satanás nesses encontros, onde ela se reúne com tudo que existe de mais pecaminoso!

E quando se trata do Sacramento da Penitência? Oh! Quanta contradição em tais vidas! Um Cristão que depois de um único pecado, deveria passar o resto da sua vida no arrependimento, pensa apenas em se atirar a esses prazeres mundanos! Uma grande maioria profana o Sacramento da Extrema Unção que receberam num momento de dor, entregando-se depois a tudo quanto é movimento indecente com os pés, as mãos e o corpo inteiro que um dia foi santificado com os Santos Óleos.

Por outro lado, o Sacramento das Sagradas Ordens também é insultado pelo desacato e desprezo com os quais as instruções dos pastores são consideradas. Mas quando chegamos ao Sacramento do Matrimónio, que Deus nos ajude! Quantas infidelidades podemos contemplar nessas assembleias? Parece que tudo é admissível. Quão cego é aquele que ainda pensa que não existe mal algum nisso!

O Conselho Municipal de Aix-la-Chapelle, proíbe danças, mesmo nos casamentos. E São Carlos Borromeo, o Arcebispo de Milão, dizia que deveriam ser dados 3 anos de penitência àqueles cristãos que frequentassem bailes e mais, que se voltassem atrás, deveriam ser ameaçados com a excomunhão. Então, se é verdade que não existe nenhum mal nisso, será que a Igreja e os Santos Padres é que estariam errados?

Mas quem é que diz que não existe mal algum nisso? Só pode ser um libertino, ou uma mulher leviana e mundana que está a tentar aliviar o seu remorso de consciência do modo mais conveniente possível.

Bem, você pode-me dizer que há sacerdotes que não falam muito sobre isso durante a Confissão ou que embora admitam ser pecado, nunca se recusam em dar logo a absolvição para tal delito. Ah! Eu não sei dizer se tais sacerdotes são ou não tão cegos, mas eu posso assegurar-lhes que todos aqueles que estão à procura de sacerdotes tão condescendentes, estão à procura de um passaporte que os leve directamente para o Inferno. Da minha parte, se eu mesmo tivesse frequentado bailes, sei que não deveria receber absolvição a não ser depois de ter uma firme resolução de não voltar mais a frequentar tais salões.

Veja bem o que diz Santo Agostinho e depois dir-me-á se as danças são ou não uma boa acção. Ele diz-nos que "as danças são a ruína das almas, o inverso da decencia, um espetáculo desavergonhoso e uma profissão pública do crime". São Efraim chama as danças de: "ruína da boa moral e alimento do vício". Já São João Crisóstomo: "Uma escola pública da falta de castidade". Para Tertuliano, a dança era considerada: "O Templo de Venus, O Consistório da Falta de Vergonha e a Cidadela de toda a depravação". Santo Ambrósio disse uma vez:

– Eis aqui uma moça que dança! Mas não se esqueçam de que ela é filha de uma adúltera, porque uma mãe verdadeiramente cristã, ensinaria à sua filha; a modéstia, um sentido adequado de vergonha e absolutamente nada a respeito de danças!

E agora eu pergunto-lhes; quantos jovens existem aqui, que desde que começaram a frequentar esses bailes, deixaram de frequentar os Sacramentos? Ou quando o fazem, fazem apenas para profaná-los? Quantas pobres almas existem que perderam a sua religião e a sua fé! E quantos mais, nunca conseguirão abrir os olhos para ver o estado infeliz em que se encontram, a não ser depois de já terem caído no Inferno!...

In Sermões de São João Maria Vianney, o Cura D’Ars

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